Destaques 2010
coloninha04092010
 
Sinopse do Enredo PDF Imprimir E-mail

  está disponível, a sinopse do Enredo da Unidos da Coloninha para o Carnaval 2011.

Em breve estarão disponíveis as informações sobre o concurso de Samba-Enredo.

S.R.C UNIDOS DA COLONINHA

 

 CARNAVAL 2011

SINOPSE DO ENREDO

 

“Vossa Majestade, beijo-lhe as mãos!

A terra do pau-brasil é boa e querendo aproveita-la, tudo nela dá”.

 

Tendo como ponto de partida a carta de Pero Vaz de Caminha ao então rei de Portugal D. Manuel I, o Venturoso, com a sagração e a valorização da terra brasileira aos olhos do colonizador, a Coloninha traz para a Avenida Nego Quirido a história da economia brasileira marcada por uma sucessão de ciclos, baseados na exploração de um único produto de exportação. Em cada ciclo, um setor foi privilegiado em detrimento de outro e provocou sucessivas mudanças sociais, populacionais, políticas e culturais dentro da sociedade brasileira.

O primeiro ciclo econômico do Brasil foi a extração do pau-brasil, madeira avermelhada utilizada na tinturaria de tecidos na Europa e abundante em grande parte do litoral brasileiro na época dos descobrimentos. Para a extração do pau-brasil, os portugueses contavam essencialmente com a mão de obra indígena, trabalho este, conseguido por meio do escambo.

O segundo ciclo econômico brasileiro se estabelece no ano de 1530 quando a coroa portuguesa com receio em perder suas novas terras para invasores estrangeiros, cria colônias como forma de ocupar e proteger seu território. A cultura da cana de açúcar foi de grande valia para a coroa portuguesa e trouxe o primeiro surto de prosperidade ao Brasil colonial. A característica principal dessa monocultura foi o modo de produção baseado no trabalho escravo, com a importação de negros capturados à força na África. Estes, tratados como mercadorias, eram as “mãos e os pés” do senhor de engenho, isto é, faziam todos os serviços braçais nas fazendas. A partir da segunda metade do século XVII a exportação do produto entra em declínio devido à concorrência do açúcar produzido nas Antilhas. Restava a Portugal encontrar outras formas de exploração das riquezas coloniais.

As cidades mineiras ainda não tinham revelado todo o seu fascinante mundo dourado quando, em 1714, pequeninas pedras brilhantes foram encontradas no Arraial do Tijuco em Minas Gerais. Preciosas e raras, os diamantes até então só eram encontrados nas Índias.  A fim de controlar a livre extração dos metais e das pedras preciosas, surge a figura do contratador, a quem a realeza concedia o direito de explorar as lavras. Estes poucos homens tinham enorme poder e influência, e determinavam o ritmo de vida na região- da contratação de escravos ao mero posicionamento da torre de uma igreja. Estava aí montado o cenário para um dos mais lendários romances da história do Brasil: Chica da Silva, a escrava que durante o ciclo de ouro, aproveitou-se de sua sensualidade para conquistar a alforria e se tornar a rainha do Diamante. Seus mínimos desejos e vontades eram prontamente satisfeitos pelo contratador. Para ela, mandou construir a famoso Palácio da Palha com cascatas artificiais e plantas exóticas vindas da Europa, além de um suntuoso teatro onde atores contratados na corte vinham encenar peças nas famosas festas de Chica. Ao término do Século XVIII, a febre do ouro havia passado, os aluviões estavam se esgotando por meio da exploração dos rios, o ouro começou a rarear, mas nisso tudo, ficaram as glórias das faustosas e imponentes igrejas, bem como o esplendor da arte barroca.

No inicio do século XIX, a propagação do café, cercada de exotismo e mistério, coincide com a chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808. As primeiras mudas foram trazidas ao Pará e cultivadas com interesse quase decorativo em pequenos terrenos próximos a moradias e até mesmo em jardins.  Por quase um século, o café foi a grande riqueza nacional e as divisas geradas pela economia cafeeira aceleraram o desenvolvimento do Brasil e o inseriram nas relações internacionais de comércio. Este período coincide com a substituição da mão-de-obra escrava pela de imigrantes europeus, atraídos por políticas governamentais.

A partir da segunda metade do século XIX, o desenvolvimento tecnologico e a revolução industrial na Europa fizeram a borracha exercer forte atração sobre empreendedores visionários. O ciclo da borracha revolucionou a economia brasileira e principalmente o modo de vida na Amazônia. A cidade de Belém, principal porto de exportação da mercadoria, enriqueceu e ganhou ares de cidade européia.  Inspirada no luxo da Belle Époque, a capital paraense orgulhava-se de apelidos como “Paris Tropical”. Viver em Belém no fim do século XIX era coisa chique! No porto da cidade, atracavam navios abarrotados de queijos franceses, vinhos portugueses, vestidos italianos e serviçais europeus. Com o contrabando de sementes da seringueira para a Europa, a Amazônia começa a perder a primazia do monopólio de produção da borracha, pois os seringais plantados pelos ingleses na Malásia, no Ceilão e na África tropical passaram a produzir látex com maior eficiência e produtividade. Conseqüentemente, a Amazônia começou a perder o monopólio da produção e os preços começaram a despencar e o ciclo extrativista entra então em decadência.

Foi somente no final do século XIX que começou o desenvolvimento industrial no Brasil. Com a crise da Bolsa de Valores em Nova York em 1929, muitos cafeicultores passaram a investir parte dos lucros, obtidos com a exportação do café, no estabelecimento de indústrias, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Eram fábricas de tecidos, calçados e outros produtos de fabricação mais simples. Além disso, outro fator importante para a intensificação da indústria brasileira foi o crescimento acelerado dos grandes centros urbanos derivado do fenômeno do êxodo rural, promovido pela queda do café. A partir dessa migração houve um grande aumento de consumidores, apresentando a necessidade de produzir bens de consumo para a população. Com o final da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a indústria brasileira foi a grande beneficiada, pois os países europeus estavam com suas indústrias arrasadas e necessitavam importar produtos industrializados de outros países, entre eles, o Brasil. Neste período, foram instaladas no país a Companhia Siderúrgica Nacional, que abastecia as indústrias com matéria-prima, entre elas o ferro e o aço, e a Petrobrás, que impulsionou o desenvolvimento das indústrias ligadas à produção de gêneros derivados do petróleo.

A partir dos anos de 1950, o setor industrial passou a ser o carro-chefe da economia no país. É o período JK. Com o lema “Cinquenta anos em cinco” o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) propagou o desenvolvimento industrial brasileiro, que ganhou novos rumos e feições. JK abriu a economia para o capital internacional, atraindo indústrias multinacionais. Foi durante este período que ocorreu a instalação de montadoras de veículos internacionais (Ford, General Motors, Volkswagen e Willys) em território brasileiro; o desenvolvimento da indústria naval; a expansão da indústria pesada e a construção de usinas siderúrgicas e hidrelétricas. Entre 1969 e 1973, o Brasil viveu o chamado “Milagre Econômico”, quando um crescimento acelerado da indústria gerou empregos e aumentou a renda de todos os trabalhadores. Neste período, instaurou-se um pensamento ufanista de “Brasil potência”, que se evidencia com a conquista da terceira Copa do Mundo de Futebol em 1970 no México e a criação do mote de significado dúbio: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.  O acelerado crescimento econômico que se verificou no Brasil dos anos de 1970 fez com que o país ingressasse finalmente na sociedade de consumo. Assim, foi possível assistir a um constante desfile de lançamentos, aguçando a concorrência ou criando mercados absolutamente novos. O comércio passa por uma transformação a fim de receber a onda crescente de consumidores, devidamente acionados pelos apelos publicitários. Os negócios do comércio prosperavam, mas, apesar da boa disposição do consumidor para comprar sempre e mais, os comerciantes tiveram que se adaptar ao novo ritmo do mercado enfrentando uma concorrência agressiva e sofisticada.

Surgem os primeiros shopping centers no Brasil, locais onde se acumula em forma concentrada um grande número de lojas e de espaços estetizados em função do entretenimento. A ideia de modernidade e progresso aliada ao shopping foram os maiores atrativos para os brasileiros elegerem esse “templo do consumo” como lugar privilegiado para compras e lazer.

Depois de um longo período de fechamento do mercado brasileiro às importações, acentuado pela crise financeira dos anos de 1980, o país iniciou seu processo de liberalização comercial. A década de 1990 foi um período de intensas transformações. Na procura de uma renovação de sua inclusão no contexto econômico mundial, a política comercial do país foi caracterizada pela abertura econômica, o que favoreceu um forte aumento das importações brasileiras e representou o alinhamento do país à onda de movimento de expansão do comércio, chamado de globalização.

Atualmente, o comércio exterior brasileiro apresenta números recordes no que diz respeito ao mercado internacional, tendo parceiros países como: os EUA, o Canadá, a China, a Índia e diversos países da Comunidade Europeia e do MERCOSUL. Como resultado, o saldo da balança comercial atinge seu maior superávit da história do comércio exterior brasileiro.

Carnavalesco: José Alfredo Beirão Filho

 
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